Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Seria interessante perceber o que leva alguém a falar em derrota política do Governo, quando as propostas aprovadas hoje pelos quatro cavaleiros do apocalipse pela oposição, no que respeita ao pagamento por conta, e ao pagamento especial por conta, representa uma perda conjunta estimada em 630.000.000€, O conjunto das propostas económicas apresentadas pelos cavaleiros do apocalipse teria uma custo total, se aprovado, de 2.300.000.000€. É esta gente que anda a apregoar rigor orçamental? O problemazinho do Dubai, que alguns desprezam, exigia capacidade financeira para eventuais medidas extraordinárias de apoio ao sistema bancário. A exposição ao risco, não precisa de resultar de créditos de bancos portugueses ao Dubai, basta o facto de a França e a Alemanha estarem expostas. Contágio financeiro, insisto, por quebras de confiança no mercado interbancário. O cenário não é muito nem pouco catastrofista: basta notar a forte queda com abriu hoje a Bolsa de NY. 

 

Os cisnes negros têm destas coisas, exigem liquidez avultada. Comparado com um colapso bancário com efeitos sistémicos, o défice seria sempre um problema de segunda ordem, coisa que alguns economistas, e outros que pensam que o são, não parecem distinguir de "problema menor".  E em termos de custos, faria o BPN parecer uma brincadeira. Não é sequer ainda possível estimar o impacto total do BPN nas contas públicas! Depois achem estranho se for preciso ir buscar financiamento a outro lado.

O prémio da inconsistência política no discurso do rigor vai para o PSD. Na mesma altura em que há vontade política de se avançar com a regionalização, a posição do PSD dependa, assumidamente, do líder do momento. A isto se chama não ter ideologia nem causas. O prémio dos vendilhões do templo vai para oPCP e para o Bloco que rejeitaram um código contributivo, por prejudicar sobretudo os trabalhadores independentes e as empresas. Que diminuísse o flagelo do trabalho precário, e por uma vez, se tomasse uma medida tributária que não penalizasse os trabalhadores dependentes, é totalmente irrelevante, para a dita esquerda - café.

Há que ter esperança na perda de peso político da Alemanha na Comissão Europeia, potenciando e emissão de dívida pela UE. Embora o moço de recados de Merkel permaneça como Presidente da comissão, a pressão dos demais países face a uma Alemanha com desemprego crescente e dependendo por completo da exportação, sendo a UE um dos seus principais mercados, pode levar Merkel a compreender a importância dos Euro  - bonds, para financiamento de pacotes de estímulos.

Com esta oposição, e com a sua iliteracia económica, torna-se difícil governar. Volto a dizer, ainda bem que há um Sporting-Benfica!

 

 



publicado por Carlos Santos às 17:40
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2 comentários:
De JP Santos a 27 de Novembro de 2009 às 18:58
"Seria interessante perceber o que leva alguém a falar em derrota política do Governo, quando as propostas aprovadas hoje"

Pessoalmente, acho tudo o que se passou hoje na AR como bastante preocupante. Não só pelas medidas aprovadas hoje como por me fazer temer o pior para a discussão do OE para 2010 e não me parece de modo algum que seja um bom caminho para o pais.
Dito isto, segundo as minhas contas em 13 votações no Parlamento o Governo/PS perdeu 11 (!!!). Se isto não constitui uma estrondosa derrota politica não sei como a poderemos definir.


"O problemazinho do Dubai, que alguns desprezam"
Embora considere que a probabilidade de contágio neste caso é bastante diminuta não desprezo a questão e considero mesmo que devemos estar atentos mas acho que não deve ser exagerado (até porque não podemos num dia pregar contra os cavaleiros do apocalipse e no dia seguinte apregoar a possibilidade de colapso bancário com efeitos sistémicos). O problema do Dubai é susceptível de criar problemas a alguns bancos europeus ? É! Eventualmente até poderá exigir um reforço dos capitais desses bancos. Mas não vejo porque razão isso exigiria necessariamente um reforço do financiamento aos bancos portugueses (os quais que eu saiba não tem exposição significativa ao Dubai).

"Há que ter esperança na perda de peso político da Alemanha na Comissão Europeia, potenciando e emissão de dívida pela UE"
Uma eventual decisão nesse sentido teria sempre de ser aprovada pelo Conselho (onde não me parece que a Alemanha esteja em riscos de perdr poder) e só quem não conhece minimamente a UE pode ignorar que a influencia da Alemanha vai muito para além dos eventuais dossiers detidos pelos seus Comissários. De qualquer modo a ideia dos Eurobonds embora tenha alguns méritos intelectuais não tem a menor viabilidade politica.


De viana a 27 de Novembro de 2009 às 22:33
Não seja desonesto, que lhe fica mal. O código contributivo do PS não passava duma maneira de subir os impostos à sucapa. Hoje as queixas foram apenas e só sobre o dinheiro que o Estado vai deixar de ganhar. O que é que aconteceu à "preocupação" com os trabalhadores precários? Nunca existiu. Ou esqueceu-se dos escritórios de advogados que andaram a dizer aos seus clientes que os "recibos verdes" ainda iam ficar "mais baratos"?

http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1406022

O Estado precisa de dinheiro? Há muito onde ir buscar. Pode fazê-lo já com o OE para 2010. Quer mesmo que eu enumere? Vamos lá: novo escalão de topo no IRS; imposto sobre as grandes fortunas; taxa de IRC mínima, com os bancos como alvo principal; fim da paraíso fiscal da Madeira; taxa sobre transações financeiras; imposto sobre todas as mais valias; fim dos descontos nos impostos a pagar devido a gastos com PPRs, saúde e educação privada. Não chega?... Também posso designar o PS de fiscalmente irresponsável por recusar o dinheiro que se pode obter através das medidas acima indicadas, ou apenas o Carlos Santos e o PS tem o direito de ser intelectualmente desonesto?


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