Seria interessante perceber o que leva alguém a falar em derrota política do Governo, quando as propostas aprovadas hoje pelos quatro cavaleiros do apocalipse pela oposição, no que respeita ao pagamento por conta, e ao pagamento especial por conta, representa uma perda conjunta estimada em 630.000.000€, O conjunto das propostas económicas apresentadas pelos cavaleiros do apocalipse teria uma custo total, se aprovado, de 2.300.000.000€. É esta gente que anda a apregoar rigor orçamental? O problemazinho do Dubai, que alguns desprezam, exigia capacidade financeira para eventuais medidas extraordinárias de apoio ao sistema bancário. A exposição ao risco, não precisa de resultar de créditos de bancos portugueses ao Dubai, basta o facto de a França e a Alemanha estarem expostas. Contágio financeiro, insisto, por quebras de confiança no mercado interbancário. O cenário não é muito nem pouco catastrofista: basta notar a forte queda com abriu hoje a Bolsa de NY.
Os cisnes negros têm destas coisas, exigem liquidez avultada. Comparado com um colapso bancário com efeitos sistémicos, o défice seria sempre um problema de segunda ordem, coisa que alguns economistas, e outros que pensam que o são, não parecem distinguir de "problema menor". E em termos de custos, faria o BPN parecer uma brincadeira. Não é sequer ainda possível estimar o impacto total do BPN nas contas públicas! Depois achem estranho se for preciso ir buscar financiamento a outro lado.
O prémio da inconsistência política no discurso do rigor vai para o PSD. Na mesma altura em que há vontade política de se avançar com a regionalização, a posição do PSD dependa, assumidamente, do líder do momento. A isto se chama não ter ideologia nem causas. O prémio dos vendilhões do templo vai para oPCP e para o Bloco que rejeitaram um código contributivo, por prejudicar sobretudo os trabalhadores independentes e as empresas. Que diminuísse o flagelo do trabalho precário, e por uma vez, se tomasse uma medida tributária que não penalizasse os trabalhadores dependentes, é totalmente irrelevante, para a dita esquerda - café.
Há que ter esperança na perda de peso político da Alemanha na Comissão Europeia, potenciando e emissão de dívida pela UE. Embora o moço de recados de Merkel permaneça como Presidente da comissão, a pressão dos demais países face a uma Alemanha com desemprego crescente e dependendo por completo da exportação, sendo a UE um dos seus principais mercados, pode levar Merkel a compreender a importância dos Euro - bonds, para financiamento de pacotes de estímulos.
Com esta oposição, e com a sua iliteracia económica, torna-se difícil governar. Volto a dizer, ainda bem que há um Sporting-Benfica!
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