Dizia o João Rodrigues, no que teve excelente réplica do Porfírio, que um Orçamento de Esqueda devia ter como prioridade um desemprego nulo: quem não conseguisse encontrar trabalho, poderia sempre contar com o Estado, que o João, glosando a expressão "prestamista de última" instância que se associava aos Bancos Centais, caracterizou como "empregador de última instância". Noutro post, o deputado José Gusmão, do BE, congratulava-se com o que chamou de democracia absoluta, em lugar de poder absoluto, facto que a seu ver resultaria da existência de um minoria relativa, que não podia impôr a sua vontade de modo arbitário. Sabendo-os pessoas bem formadas, gostava de saber em que medida é que justifica (o José Guilherme deve ter votado com o resto do grupo?) o seu sentido de voto, ao lado de uma bancada de um PSD claramente de matriz conservadora e de um bancada do Partido Populista Popular, inviabilizando a entrada em vigor já em Janeiro do Código Contributivo? Em que medida serviu o BE o interesses dos desempregados?
O novo Código Contributivo apresentava uma inovadora visão da taxa social única, usando-a como incentivo a contratos de trabalho sem termo (baixando em 1 ponto percentual a taxa para as empresas que contratassem nessa base), e claramente penalizador (aumento em 3 pontos percentuais da taxa para as empresas que contratem a prazo) da precariedade. A medida preservava a sustentabilidade do sistema de segurança social porque a descida da taxa era menor do que o aumento, e desencorajava claramente a contratação a prazo.
Será que o João me pode explicar se o conceito de pleno emprego dele não entra em conta com a precariedade do trabalho? Eu não acredito nisso, conhecendo o João Rodrigues. Nem acredito que o deputado José Gusmão, cuja escrita sempre apreciei, seja contra o combate ao desemprego e ao trabalho precário. Só que claramente o BE tinha aqui uma de dua visões: ou votava a favor de um código que promovia o emprego, porque descia os custos unitários do trabalho para contratos sem termo, e diminuia o trabalho precário - porque incentiva as empresas a reduzirem custos, já que lhes é vantajoso reduzir esses precários e passá-los a um contrato a termo certo. Criar emprego mas emprego com segurança. Não acredito que pessoas como o João, o José Gusmão, ou o Daniel possam estar de acordo com a ideia, intrinsecamente neoliberal, de que a flexibilização domercado de trabalho, enfranquecendo os vínculos é que cria emprego? Acham que era descendo indiscriminadamente a taxa, sem distinguir precários e outros, que se promovia o emprego? Assumem que como o empresariado prefere contratar a prazo, há que facilitar essa opção?
O trabalho precário é dos maiores dramas socias existentes, tornando impossíveis todos os mecanismos que já por si são complexos, como a obtenção de crédito à habitação, para dar um exemplo. Que o PSD o defenda, esquecido que anda do significado de social democracia, (Pedro Picoito escreveu mesmo que tinha de parecer social democrata por fora, mas era um conservador liberal por dentro!), já não me surpreende (embora a sua atitude seja totalmente irresponsável do ponto de vista das finanças públicas). Agora, gostava mesmo se saber como justificam o João ou o José Gusmão a atitude do BE hoje. Reparem que o voto do BE é causa de regozijo de gente como o João Miranda, E é saudado no http://esquerda.net.
E que o Tiago Mota Saraiva, o Carlos Vidal, o Vítor Dias, ou outro apoiante do PCP me explicasse como pode um partido comunista (!) votar ao lado da direita conservadora, e neoliberal? A favor de uma medida neoliberal? COmo pode, reparem bem, um partido que acredita na luta da casses, votar contra a opinião de uma central sindical. Ou a ortodoxia vai ao ponto de se consierar que só a Central Sindical do PCP, o seu braço na rua, é que conta?
Este regozijo eu compreendo (e abomino!). Mas o que é feito da esquerda-café, João? Ou o princípio da terra queimada ainda é válido?
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