Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

A propósito de uma notícia e das tentativas de agendar um encontro (físico) entre os fazedores deste blogue.

 

A vida é, portanto, um processo de desordem permanente, de desorganização, de desintegração, inseparável da reintegração. A sociedade não é um rochedo num mar de desordem. É antes feita de esforços sempre recomeçados, por parte de indivíduos que, eles próprios, se reorganizam incessantemente. Tudo o que existe deve viver no risco permanente, no limiar da sua própria morte. Devemos adquirir uma concepção pela qual assumamos muito mais o risco, as potencialidades da existência. É esta uma concepção que deve romper totalmente com a visão burocrática e a falsa ideia de segurança contra todos os riscos. Isto não quer dizer que seja preciso suprimir os seguros, a segurança social … É preciso, antes pelo contrário, ter seguranças materiais, mas a nossa vida mental, psíquica, é uma vida decorrida no risco profundo. A criatividade constitui-se nas fronteiras da loucura e da morte. É preciso mudar de visão. Aceitar na vida o risco, o inevitável, porque isso é a oportunidade de criar, de se expandir, de comunicar e de amar.

Edgar Morin In “Pensar o Milénio com Edgar Morin” (excerto de uma entrevista de João Fatela.)



publicado por Eduardo Graça às 12:06
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2 comentários:
De JNR a 6 de Novembro de 2009 às 12:34
O futuro é incerto mais do que arriscado - arrisco eu dizer. Por isso, somos sempre apanhados de surpresa - mesmo quando somos nós a surpreender. Até os modelizadores e formalistas do risco, apanham com o incerto em cima. Aceitar conviver na vida com o inevitável incerto, é a minha adenda ao Edgar (enfim, quem sou eu para anexar tretas ao homem).


De Luís Novaes Tito a 6 de Novembro de 2009 às 12:39
O problema é que o Edgar Morin nunca tentou fazer uma grelha de frequência, senão tinha morrido de fome.


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