A actualização das pensões sociais é usualmente feita de modo "automático". Em causa estão os valores do crescimento do PIB e da taxa de inflação. Num ano em que ambos os valores serão negativos, as pensões sociais seriam penalizadas em 2010, com o regredir do indexante.
Não é difícil supor que esta situação tem maior impacto sobre quem aufere rendimentos mais baixos. Nessa medida, a Ministra do Trabalho, Helena André, anunciou hoje que o valor do indexante será mantido em 2010, enquanto as pensões sociais sofreram aumentos de 1,25% para as pensões mais baixas (menores que 638,83€) e de 1% no escalão seguinte. No que, no contexto presente em que a restrição orçamental europeia nos volta a ameaçar, tem de ser uma medida louvada pelo esforço de desenvolver algum tipo de política social pró-activa, mesmo com a gritaria do Comissário Joaquin Almunia.
A ministra anunciou outra deliberação de natureza social: durante 2010, o subsídio de desemprego passará a ser concedido a quem tenha estado a trabalhar por conta de outrem durante 365 dias, levantando a exigência corrente dos 450 dias. Dado o flagelo do desemprego na Europa, e a sua previsão de crescimento na generalidade dos países europeus, o governo lança as bases de uma mais robusta almofada social.
Já ontem, o Ministro da Economia e da Inovação Vieira da Silva tinha apontado para 1,5% o nível de crescimento salarial da função pública, que como sabe é benchmark para o sector privado. Há aqui que ter em conta o favorecimento do trabalho a tempo incerto e a penalização do trabalho precário que ocorrerão com a entrada em vigo do novo Código Contributivo. O acréscimo de custo para as empresas não podia ser ainda maior, sob risco de insolvências. Não se trata de um problema de contas públicas, mas da preservação dos postos de trabalho em PMEs, e de uma compensação por um Código Contributivo que, por exemplo, penaliza o empregador que recorre ao trabalho precário. A segurança no emprego é um bem fundamental nas sociedades contemporâneas.
Ainda assim, o aumento será superior à inflação, tendo o Governo o argumento adicional de que os preços da electricidade, transportes públicos e outros bens básicos tenderá a manter-se constante.
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