De acordo com o INE, a economia portuguesa registou um crescimento de 0,9% no 3º Trimestre de 2009, um valor maior do que o que se tinha registado no 2º Trimestre. Destaca-se assim a aceleração da retoma, a convergência com a zona Euro, que cresceu 0,4% em médio entre Julho e Setembro, o aproximar do ritmo de crescimento ao limiar estimado no Relatório do Banco de Portugal de 2008 para o crescimento do emprego: um aumento do PIB anual de, pelo menos, 1%. A manterem-se estes valores, no 4º trimestre poderemos entrar em terreno de expectativa positiva de criação de emprego, o que contraria as vagas de pessimismo que sucederam às previsões da Comissão Europeia.
Os valores do 2º trimestre foram revistos em alta: Portugal registou aí um crescimento do PIB de 0,5% e não de 0,3% conforme anunciado. Recorde-se que aí, na decomposição dos factores de crescimento da procura interna, o consumo privado se tinha revelado o principal mecanismo de sustentação da economia. No 3º trimestre há já uma redução no ritmo de quebra do próprio investimento privado, e uma evolução favorável da balança comercial.
Os valores registados para Portugal demonstram também algo de inelutável: a política económica de combate à crise conjuntural que se seguiu aos episódios de Setembro de 2008, foi, na essência correcta. Falamos de curto prazo em política conjuntural, e as medidas de sustentação do consumo privado (como o reforço dos apoios sociais e a antecipação de reembolsos de IRS) e o investimento público (o tal de que se falava aqui a respeito de modernização escolar) foram capazes de contrabalançar componentes em queda da procura.
Ademais, os valores do 2º trimestre terão contribuído para o maior optimismo de empresários e consumidores, o que, conjugado com o efeito de disseminação do investimento público pelas encomendas das empresas, terá motivado a travagem da queda do investimento privado.
O receituário de combate a este tipo de crise, com estímulos de procura, como sugerido pelo keynesianismo, e como a China e os EUA começaram a praticar no final de 2008 e no início de 2009, respectivamente, está a surtir os efeitos esperados, sendo agora a prioridade da política económica atingir o tal patamar de sustentação do crescimento que inicie o processo de redução do desemprego. O que deverá ser conseguido, no pressuposto de não serem retiradas as medidas de apoio à economia. As próprias previsões da Comissão Europeia previam um menor agravamento do desemprego em Portugal em 2010 do que em vários outros países europeus, tendência que se deverá reforçar. Evidentemente, que a eleição desta prioridade de combate ao desemprego envolve custos para as contas públicas. Mas o pessimismo com as notícias de recuperação são recebidas por alguns "economistas-problema" só pode ser encarado como desapontamento político. Dos múltiplos défices que Portugal enfrenta, o défice social é bem mais importante que o défice público.
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